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Capítulo 10 – Os olhos e a visão

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Capítulo 10 – Os olhos e a visão

Resumo completo

Capítulo 10 – Os olhos e a visão

Resumo completo

1A visão: como enxergamos o mundo

A visão é o sentido que nos permite ver formas, cores e distâncias. Ela acontece em duas etapas: primeiro a imagem se forma dentro do olho, depois uma área especial do cérebro interpreta essa imagem.

Ao longo da história da espécie humana, enxergar bem foi uma grande vantagem. Com a visão, nossos antepassados achavam água e comida, viam predadores de longe e evitavam buracos e galhos.

Hoje quase não precisamos caçar, mas a visão continua muito importante. Vivemos cercados de símbolos visuais: placas, textos, telas e sinais de trânsito.

Pessoas cegas ou com baixa visão contam com tecnologias que ajudam muito no dia a dia, como o braile (leitura e escrita com pontinhos em relevo) e aplicativos que ampliam imagens, leem textos em voz alta e obedecem a comandos de voz.

Exemplos

  • Exemplo: você atravessa a rua. Seus olhos formam a imagem do carro que se aproxima e o cérebro interpreta a distância e a velocidade. Assim você decide esperar ou atravessar — as duas etapas da visão trabalhando juntas.

As duas etapas da visão

EtapaOnde aconteceO que ocorre
1ª etapaOlhosA luz entra e forma a imagem na retina
2ª etapaCérebroA imagem é interpretada (cores, formas, distâncias)

2A visão no reino animal

Nem todos os animais enxergam do mesmo jeito que nós. Há cerca de 600 milhões de anos surgiram duas linhagens de animais (linhagem é um conjunto de antepassados, uma linha de parentesco).

Uma linhagem tem olhos simples, que só percebem a diferença entre luz e sombra. A outra deu origem aos vertebrados — peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, incluindo nós. Nessa linhagem se desenvolveram olhos mais complexos e uma região do cérebro que interpreta as imagens.

Os cientistas descobrem isso estudando fósseis, comparando olhos de animais atuais e analisando os genes. Nenhum tipo de olho é melhor ou pior: cada um é uma adaptação ao ambiente em que o animal vive.

Duas linhagens de animais

LinhagemTipo de olhoO que consegue perceber
Animais de olhos simplesEstruturas simples sensíveis à luzDiferença entre luz e sombra
VertebradosOlhos complexos com retinaImagens detalhadas, cores e distâncias

2.1Os "olhos" da planária

A planária é um invertebrado bem pequeno (cerca de 15 milímetros) que vive na água, em riachos e lagos, escondida entre restos de plantas.

Na "cabeça" dela existem duas estruturas que percebem a luminosidade e a direção de onde vem a luz. Elas não formam imagens, apenas avisam se há luz e de que lado ela está.

Essa informação vai para o "cérebro" da planária, que é um agrupamento de células nervosas. Como resposta, o corpo geralmente se afasta da zona iluminada.

Exemplos

  • Exemplo: se você acender uma lanterna sobre uma planária, ela se move para longe da luz. Ela não "vê" a lanterna, apenas percebe que ali está claro.

2.2Os olhos compostos dos insetos

Os insetos possuem olhos compostos. Cada olho é formado por centenas ou até milhares de estruturas minúsculas chamadas omatídeos.

Cada omatídeo funciona como uma pequenina lente que direciona a luz para células sensoriais. Essas células mandam a informação ao cérebro do inseto pelos nervos.

Cada omatídeo capta a luz de apenas um pedacinho do campo visual. Por isso a imagem final é como um mosaico, formada por muitas partes juntas.

Exemplos

  • Exemplo: uma borboleta olhando uma flor enxerga a imagem repartida em muitos pedacinhos, um de cada omatídeo. Uma pessoa vê a mesma flor como uma única imagem inteira e nítida, formada na retina.

Comparação entre tipos de estruturas de visão

AnimalEstruturaForma imagem?
PlanáriaDuas estruturas sensíveis à luz na "cabeça"Não; só percebe luz e sua direção
Inseto (mosca, borboleta)Olho composto com omatídeosSim, em mosaico (vários pedaços)
Vertebrados (ser humano)Olho esférico com retina e cristalinoSim, uma única imagem nítida

3Os olhos dos vertebrados e o olho humano

Os vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) têm olhos quase esféricos e cheios de líquido. Dentro deles, a imagem se forma sobre uma superfície sensível à luz: a retina.

Vamos conhecer as partes de fora e de dentro do olho humano.

3.1Estruturas externas do olho

As estruturas externas ficam na face e servem para proteger o globo ocular. São as pálpebras, os cílios e o supercílio (a sobrancelha). Elas impedem que poeira, suor e outras partículas entrem no olho.

As lágrimas saem o tempo todo por uma região no canto do olho. Elas impedem que a superfície do olho resseque e matam bactérias, evitando infecções. Quando piscamos, as pálpebras espalham as lágrimas.

A íris é a parte colorida do olho (azul, verde, castanha...). Sua função é controlar quanta luz chega à retina. A pupila é a abertura escura no centro da íris: com muita luz ela diminui; com pouca luz ela aumenta. Quem comanda esse ajuste é a íris.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo: você sai de um cinema escuro para a rua ensolarada. 1) Muita luz chega aos olhos. 2) A íris se contrai. 3) A pupila fica pequena. 4) Entra menos luz e a retina fica protegida.

Estruturas externas e suas funções

EstruturaFunção
Supercílio (sobrancelha)Impede que o suor escorra para o olho
PálpebrasProtegem o globo ocular e espalham as lágrimas
CíliosBarram poeira e partículas
LágrimasUmedecem o olho e matam bactérias
ÍrisControla a quantidade de luz que entra
PupilaAbertura por onde a luz entra; aumenta ou diminui

Como a pupila muda com a luz

Luz do ambienteÍrisPupilaLuz que entra
Muita luzContraiReduzida (pequena)Pouca
Luz moderadaIntermediáriaMédiaMédia
Pouca luzRelaxaDilatada (grande)Muita

3.2Estruturas internas do olho

A córnea é a camada transparente mais externa do globo ocular. É a primeira estrutura que a luz atravessa ao entrar no olho.

A lente, também chamada de cristalino, é transparente e funciona como uma lente convergente: ela direciona os raios de luz para a retina. É ela que permite focar objetos perto e longe.

A retina é uma camada fina no fundo do olho, onde ficam as células que detectam a luz. Existem dois tipos: os cones, que percebem as cores, e os bastonetes, que percebem luz e sombra e desenham o contorno dos objetos.

Quando essas células são estimuladas, mandam o sinal para o cérebro pelo nervo óptico. O globo do olho é preenchido por líquido transparente, e músculos prendem a lente ao globo ocular.

Exemplos

  • Caminho da luz, passo a passo: luz do objeto → córnea → pupila (abertura da íris) → cristalino (lente) → líquido do globo ocular → retina → nervo óptico → cérebro.

Estruturas internas e suas funções

EstruturaFunção
CórneaCamada transparente externa; primeira a ser atravessada pela luz
Cristalino (lente)Lente convergente; foca a imagem na retina
Músculos da lenteMudam o formato do cristalino (acomodação visual)
RetinaCamada com células sensoriais onde a imagem se forma
ConesCélulas da retina que detectam as cores
BastonetesCélulas da retina que percebem luz, sombra e contornos
Nervo ópticoLeva o estímulo da retina até o cérebro

4Como as imagens se formam no olho humano

Um objeto reflete a luz em várias direções. Só alguns raios entram pela pequena abertura da pupila.

Esses raios atravessam o cristalino, que tem formato biconvexo (mais grosso no meio e fino nas bordas, como a lente de uma lupa). Por isso ele é convergente: junta os raios em uma região pequena da retina.

Na retina, a imagem se forma invertida: de cabeça para baixo e trocada entre direita e esquerda. A luz então vira sinais elétricos que viajam pelo nervo óptico.

O cérebro recebe esses sinais e inverte a imagem de volta. Por isso vemos tudo na posição certa!

Exemplos

  • Exemplo passo a passo (a maçã do livro): 1) A maçã reflete luz em todas as direções. 2) Alguns raios passam pela pupila. 3) A lente converge os raios para a retina. 4) Os raios do alto da maçã chegam embaixo na retina, e os da direita chegam à esquerda → imagem invertida. 5) O cérebro interpreta e você vê a maçã em pé, do jeito certo.

4.1O olho e a câmera fotográfica

A câmera fotográfica funciona de um jeito bem parecido com o olho. Ela tem uma lente (ou várias) e uma abertura chamada diafragma, por onde a luz passa.

O diafragma abre ou fecha para controlar quanta luz entra — igual à íris no olho. Em lugares escuros, aumenta-se a abertura; com muita luz, diminui-se.

As lentes projetam a imagem sobre um anteparo: o filme fotográfico (câmeras antigas) ou o sensor eletrônico (câmeras digitais). Esse anteparo é sensível à luz, assim como a retina.

Exemplos

  • Exemplo de questão: "O diafragma, a lente e o sensor da câmera correspondem no olho a..." Resposta: íris, cristalino e retina, nessa ordem — porque o diafragma controla a luz (como a íris), a lente foca (como o cristalino) e o sensor recebe a imagem (como a retina).

Olho humano × câmera fotográfica

Olho humanoCâmeraFunção em comum
Íris / pupilaDiafragmaControlar a quantidade de luz que entra
Cristalino (lente)Lente(s)Desviar a luz e focar a imagem
RetinaFilme ou sensor eletrônicoReceber a imagem (superfície sensível à luz)

4.2O processo de acomodação visual

Com uma lupa, para ver nítido você aproxima ou afasta a lente do objeto. No olho, o cristalino não se move: ele fica sempre no mesmo lugar.

Então como enxergamos nítido tanto de perto quanto de longe? Os músculos que prendem a lente ao globo ocular apertam ou soltam o cristalino, mudando levemente o formato dele. Essa capacidade se chama acomodação visual.

Ao olhar longe, os músculos relaxam e a lente fica mais ovalada (achatada), com menor aumento. Ao olhar perto, os músculos comprimem a lente, que fica mais arredondada, com maior aumento. Isso acontece sem você pensar, de forma involuntária.

Com o passar dos anos, esses músculos perdem força e a pessoa passa a ter dificuldade para enxergar de perto. Aí surge a necessidade de óculos.

Exemplos

  • Exemplo passo a passo (estádio de futebol): você olha o campo, que está distante → os músculos relaxam → o cristalino fica mais achatado (ovalado) → a imagem do campo fica nítida na retina. Depois você olha o ingresso na sua mão → os músculos comprimem o cristalino → ele fica arredondado → o ingresso fica nítido. Isso é a acomodação visual.

Acomodação visual

Objeto observadoMúsculosFormato da lenteAumento
DistanteRelaxados (puxam a lente)Mais ovalado/achatadoMenor
PróximoContraídos (comprimem a lente)Mais arredondadoMaior

5Cuidados com a saúde dos olhos

As pálpebras, os cílios e as lágrimas protegem os olhos, mas isso não basta. É preciso ter hábitos de higiene e proteção para manter a visão saudável.

O médico especialista nos olhos é o oftalmologista. Consultas periódicas ajudam a prevenir e descobrir problemas cedo.

Exemplos

  • Exemplo do dia a dia: depois de duas horas no computador, faça uma pausa, afaste o rosto da tela e ajuste o brilho. Isso descansa os olhos.

Cinco cuidados importantes

CuidadoPor quê
Evitar esfregar/coçar os olhosA pressão pode causar lesões e as mãos levam microrganismos que causam infecção
Higienizar bem os olhosEvita acúmulo de secreções nas pálpebras, cílios e cantos
Consultar o oftalmologista periodicamentePrevine e diagnostica problemas de visão
Evitar o sol das 10h às 16hA radiação solar em excesso prejudica a visão; usar chapéu e óculos com proteção UV
Cuidado com aparelhos eletrônicosNão ficar com o rosto perto da tela, ajustar o brilho e fazer pausas

6Os problemas de visão mais comuns

Problemas de visão podem vir de irregularidades na córnea, no cristalino, no líquido do olho, na retina, no nervo óptico, no formato do globo ocular ou na região do cérebro que interpreta as imagens.

Os sintomas variam: imagens desfocadas ou distorcidas até a cegueira. A cegueira pode ser de nascença ou aparecer ao longo da vida por causa de doenças. Existe também a baixa visão: mesmo com tratamento, a pessoa continua com dificuldade para enxergar.

Os quatro problemas mais comuns são: hipermetropia, presbiopia, miopia e astigmatismo. Todos podem ser resolvidos com óculos e/ou cirurgias corretivas.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: "A miopia afeta 25% da população mundial. Explique sua causa." Resposta: na miopia a retina está localizada depois do ponto onde o cristalino forma a imagem de objetos distantes — é como se o olho fosse maior do que deveria. Por isso a imagem se forma antes da retina e o objeto distante aparece borrado.
  • Exemplo resolvido: uma estudante tem dificuldade para ler (não enxerga bem de perto). Provável distúrbio: hipermetropia. Causa: a retina está antes do ponto onde a imagem de objetos próximos se forma; é como se o olho fosse menor do que deveria. Solução: óculos ou lentes de contato com lente convergente, prescritos por um oftalmologista (em alguns casos, cirurgia a laser).

Problemas de visão: dificuldade e causa

ProblemaDificuldadeCausa
HipermetropiaEnxergar objetos próximosA retina está antes do lugar onde o cristalino forma a imagem de objetos próximos; é como se o olho fosse menor do que deveria
Presbiopia ("vista cansada")Enxergar objetos próximosOs músculos do cristalino não conseguem mais comprimi-lo o suficiente; a retina capta a imagem antes de ela ficar nítida
MiopiaEnxergar objetos distantesA retina está depois do lugar onde a imagem se forma; é como se o olho fosse maior do que deveria
AstigmatismoVisão dupla, aperta os olhos para ver perto e longe, fotofobia, dificuldade à noiteA córnea ou o cristalino tem curvatura irregular, deixando a imagem distorcida ou embaçada

Palavra nova

TermoSignificado
FotofobiaAversão à luz, por causa da dor que a luminosidade provoca
Baixa visãoDificuldade para enxergar que continua mesmo com tratamento

7Lentes para corrigir problemas de visão

As lentes usadas para corrigir hipermetropia, presbiopia e miopia são lentes esféricas, ou seja, têm superfícies em forma de parte de esfera. Elas podem ser convergentes ou divergentes.

As lentes convergentes são mais grossas no centro do que nas bordas. Elas aproximam os raios de luz, fazendo-os se juntar (convergir) depois de atravessar a lente.

As lentes divergentes são mais finas no centro do que nas bordas. Elas afastam (divergem) os raios de luz.

As lentes dos óculos são de vidro ou resina transparente e devem ser indicadas pelo oftalmologista, depois de exames. Usar óculos de outra pessoa, ou óculos de plástico de baixa qualidade, força os olhos e pode piorar a visão com o tempo.

Exemplos

  • Exemplo: a lupa é uma lente convergente — grossa no meio e fina nas bordas. Se você a colocar sob o sol, os raios se juntam em um ponto bem claro e quente.

Tipos de lentes corretivas

Tipo de lenteFormatoEfeito nos raios de luzCorrige
ConvergenteMais grossa no centroAproxima (junta) os raiosHipermetropia e presbiopia
DivergenteMais fina no centroAfasta (espalha) os raiosMiopia
Assimétrica (cilíndrica)Curvaturas desiguaisCorrige a distorção da córnea irregularAstigmatismo

7.1Correção da hipermetropia

Quem tem hipermetropia não enxerga bem de perto. O cristalino não consegue convergir o suficiente os raios que vêm de objetos próximos, e a imagem não fica nítida na retina.

A solução é uma lente que aumente a convergência: a lente convergente. Com ela, a imagem passa a se formar exatamente sobre a retina.

A lente pode ser usada em óculos ou lentes de contato, sempre com receita do oftalmologista. Alguns casos também podem ser corrigidos com cirurgia a laser.

Exemplos

  • Exemplo: uma foto simula a visão de quem tem hipermetropia — a estátua perto está borrada, mas a paisagem ao fundo aparece nítida.

7.2Correção da presbiopia ("vista cansada")

Com a idade, os músculos do cristalino não conseguem mais acomodá-lo para ver de perto. A pessoa passa a afastar o livro para conseguir ler.

A correção é feita do mesmo jeito que a da hipermetropia: com lentes convergentes, em óculos ou lentes de contato.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: "Qual lente uma pessoa com vista cansada deve usar? Por quê?" Resposta: lente convergente, porque ela ajuda a juntar os raios de luz e formar a imagem de objetos próximos exatamente sobre a retina.

7.3Correção da miopia

Quem tem miopia não enxerga bem de longe. No olho míope, a lente converge demais os raios e a imagem se forma antes da retina.

Por isso o míope precisa de uma lente que espalhe um pouco os raios antes de eles entrarem no olho: a lente divergente. Assim a imagem "anda para trás" e cai sobre a retina.

A lente deve ser receitada pelo oftalmologista, em óculos ou lentes de contato. Muitos casos também podem ser corrigidos com cirurgia a laser.

Exemplos

  • Exemplo: um aluno míope não consegue ler o que está escrito no quadro, mas lê o caderno normalmente. Ele precisa de óculos com lente divergente.

7.4Correção do astigmatismo

No astigmatismo, a curvatura da córnea é irregular. Por isso, de um único ponto de luz se formam várias imagens sobre a retina, que parecem sobrepostas.

A lente usada é do tipo assimétrica, também chamada de cilíndrica. Ela tem curvaturas desiguais — diferente das lentes convergentes e divergentes, que são simétricas.

Essa assimetria compensa o defeito da córnea e permite formar uma única imagem nítida na retina.

Exemplos

  • Exemplo: a foto de um ciclista vista por alguém com astigmatismo aparece com contornos duplicados, como se houvesse imagens sobrepostas.

8Atitude: cooperação com pessoas com deficiência visual

A visão ajuda em quase tudo: caminhar, cozinhar, estudar, praticar esportes. Muitos lugares ainda não têm adaptações para quem é cego ou tem baixa visão, então a cooperação de quem enxerga faz diferença.

Mas atenção: muitas pessoas com deficiência visual preferem e conseguem fazer suas tarefas sozinhas. Ajude só quando for necessário — e do jeito certo.

Uma boa forma de entender essa realidade é a atividade de guiar um colega vendado pela escola e depois trocar de papel.

Exemplos

  • Exemplo de lei: a Lei nº 11.126, de 2005, garante que a pessoa com deficiência visual entre e permaneça com seu cão-guia em locais públicos e privados de uso coletivo. Por isso, um motorista de ônibus que impedisse a entrada do cão-guia estaria errado, pois desrespeitaria a lei.

Dicas para guiar uma pessoa com deficiência visual

O que fazerO que evitar
Ofereça ajuda logo ao avistar a pessoa com bengalaEsperar que ela precise pedir ajuda
Ofereça seu cotovelo ou ombro para ela apoiar a mãoPuxar a pessoa pelo braço
Fale em tom normal de vozFalar alto ou gritar
Descreva o ambiente, nomeando objetos e posiçõesMudar a mobília de lugar sem avisar
Avise sobre degraus, buracos e pisos escorregadiosDeixar objetos no caminho
Na escada, leve a mão dela ao corrimão e diga se sobe ou desceAtravessar a rua em diagonal (desorienta)
Ao sentar, leve a mão dela ao encosto da cadeiraEmpurrar ou sentar a pessoa

9Resumo final: o que você estudou

Neste capítulo você aprendeu os diferentes tipos de estruturas que percebem luz nos animais, as partes do olho humano, como as imagens se formam, os problemas de visão mais comuns e como corrigi-los com lentes.

Use a tabela abaixo para revisar rapidamente antes da prova.

Exemplos

  • Exercício resolvido: "Por que não enxergamos de cabeça para baixo, se a imagem na retina é invertida?" Resposta: porque o cérebro interpreta os sinais que chegam pelo nervo óptico e inverte a imagem novamente, mostrando os objetos na posição real.
  • Exercício resolvido: "Ao observar um objeto distante, o cristalino está..." Resposta: relaxado, tornando-se uma lente de menor aumento (formato mais ovalado).

Revisão rápida do capítulo

TemaPonto-chave
Etapas da visãoFormação da imagem no olho + interpretação pelo cérebro
PlanáriaPercebe luz e sua direção, mas não forma imagem
InsetosOlho composto por omatídeos; imagem em mosaico
Entrada da luzCórnea → pupila → cristalino → retina → nervo óptico → cérebro
Íris e pupilaControlam a quantidade de luz (muita luz = pupila pequena)
RetinaCones veem cores; bastonetes veem luz, sombra e contorno
Imagem na retinaSempre invertida; o cérebro a "desvira"
Acomodação visualMúsculos mudam o formato do cristalino para focar perto ou longe
Hipermetropia e presbiopiaDifícil ver de perto → lente convergente
MiopiaDifícil ver de longe → lente divergente
AstigmatismoCórnea irregular → lente assimétrica (cilíndrica)

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Capítulo 10 – Os olhos e a visão

Resumo rápido

Capítulo 10 – Os olhos e a visão

Resumo rápido

1A visão: como funciona

A visão acontece em duas etapas: primeiro a imagem se forma dentro do olho, depois o cérebro interpreta essa imagem.

Enxergar ajudou os seres humanos a encontrar alimento, fugir de perigos e reconhecer pessoas de longe. Hoje a visão também é essencial para ler símbolos e mensagens.

Pessoas cegas ou com baixa visão contam com tecnologias como o braile (sistema de leitura com pontos em relevo) e aplicativos que leem textos em áudio.

2A visão no reino animal

Há cerca de 600 milhões de anos surgiram duas linhagens (grupos de antepassados aparentados) de animais: uma com olhos simples, que só percebem luz e sombra, e outra que originou os vertebrados, com olhos complexos.

Os olhos foram se modificando ao longo da evolução. Nenhum tipo é melhor que o outro: cada um é uma adaptação ao ambiente em que o animal vive.

2.1Invertebrados

A planária é um animalzinho de água doce com duas estruturas na "cabeça" que percebem a luz e a direção dela, mas não formam imagens. Ao receber o estímulo, ela costuma se afastar da luz.

Os insetos têm olhos compostos, formados por centenas ou milhares de peças minúsculas chamadas omatídeos. Cada omatídeo funciona como uma lentinha e capta só um pedaço da cena, formando uma imagem em mosaico.

Exemplo

  • Uma borboleta vê a flor como um mosaico de pedacinhos; uma pessoa vê a mesma flor como uma imagem única e nítida.

2.2Vertebrados

Peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos têm olhos quase esféricos e cheios de líquido. A imagem se forma numa superfície sensível à luz: a retina.

3Estruturas do olho humano

As partes externas protegem o olho: pálpebras, cílios e supercílio barram poeira e suor. As lágrimas saem sem parar, mantêm o olho úmido e matam bactérias; ao piscar, as pálpebras espalham as lágrimas.

3.1Íris e pupila

A íris é a parte colorida do olho e controla quanta luz entra. A pupila é o buraquinho no meio da íris por onde a luz passa.

Com muita luz, a pupila diminui; com pouca luz, ela aumenta.

3.2Partes internas

Córnea: camada transparente mais externa; é a primeira que a luz atravessa.

Lente (cristalino): transparente e biconvexa (mais grossa no centro); funciona como lente convergente e joga a luz sobre a retina.

Retina: camada fina com as células que enxergam — os cones, que percebem cores, e os bastonetes, que percebem luz, sombra e contornos.

Nervo óptico: leva o estímulo da retina até o cérebro.

4Como as imagens se formam no olho

A luz refletida pelo objeto entra pela pupila, atravessa o cristalino e se concentra na retina. Ali a imagem vira sinais elétricos que vão ao cérebro.

A imagem formada na retina é sempre invertida: de cabeça para baixo e trocada da direita para a esquerda. O cérebro desinverte tudo, e por isso vemos o mundo na posição certa.

4.1Comparação com a câmera fotográfica

A câmera tem lente (como o cristalino), diafragma (como a íris/pupila, controla a entrada de luz) e um sensor ou filme (como a retina), onde a imagem invertida é projetada.

4.2Acomodação visual

O cristalino não se afasta nem se aproxima da retina. Em vez disso, músculos mudam o formato dele para deixar a imagem nítida. Isso é a acomodação visual.

Objeto distante: músculos relaxam, a lente fica mais achatada (menor aumento). Objeto próximo: músculos comprimem, a lente fica mais arredondada (maior aumento).

Com a idade, esses músculos perdem força e fica difícil focar de perto.

5Cuidados com a saúde dos olhos

Evite esfregar os olhos (pode ferir e levar micróbios das mãos). Higienize com cuidado pálpebras, cílios e cantos.

Consulte um oftalmologista (médico dos olhos) regularmente. Evite sol forte entre 10h e 16h; use chapéu e óculos escuros com proteção UV.

Não fique com o rosto muito perto de telas, ajuste o brilho e faça pausas.

6Problemas de visão mais comuns

Acontecem quando a imagem não se forma nitidamente sobre a retina. Podem vir de irregularidades na córnea, no cristalino ou do formato do globo ocular.

Hipermetropia: dificuldade de ver de perto; a imagem se formaria depois da retina (olho "curto demais").

Presbiopia ("vista cansada"): dificuldade de ver de perto, porque os músculos do cristalino envelheceram e não o comprimem o bastante.

Miopia: dificuldade de ver de longe; a imagem se forma antes da retina (olho "comprido demais").

Astigmatismo: a córnea ou o cristalino tem curvatura irregular, e a imagem fica distorcida ou embaçada; pode dar visão dupla e fotofobia (incômodo com a luz).

7Lentes que corrigem a visão

Lente convergente: mais grossa no centro; junta (aproxima) os raios de luz.

Lente divergente: mais fina no centro; espalha (afasta) os raios de luz.

As lentes devem ser sempre receitadas pelo oftalmologista. Usar os óculos de outra pessoa ou lentes de plástico de má qualidade força a vista e piora a visão.

7.1Qual lente para cada problema

Hipermetropia e presbiopia: lentes convergentes, porque o olho precisa de ajuda para juntar mais os raios e formar a imagem sobre a retina.

Miopia: lente divergente, que espalha os raios e empurra a imagem para trás, até cair na retina.

Astigmatismo: lente assimétrica (cilíndrica), com curvaturas desiguais, que corrige a curvatura irregular e forma uma única imagem nítida.

Em muitos casos também existe cirurgia com laser.

8Cooperação com pessoas com deficiência visual

Nunca puxe a pessoa pelo braço: ofereça seu cotovelo ou ombro. Não fale alto, avise sobre degraus, buracos e obstáculos.

Descreva o ambiente pelas posições (à direita, à frente) e não mude os móveis de lugar. Muitas pessoas fazem tudo sozinhas — ajude só quando for necessário.

A Lei nº 11.126/2005 garante o direito de entrar com cão-guia em qualquer lugar público ou de uso coletivo.

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